É preciso contra-atacar

Atualizado: Mar 20

Coluna por Eduarda Nunes

Arte: Gabriela Leal

Entre mortos e feridos, salvou-se quase ninguém, mas 2019, finalmente, tá acabando. O ano em que a gente achou que o Brasil fosse desandar de vez de uma vez só, mas que na verdade segue “somente” num ritmo mais apressado. A correria continua, é uma constante, principalmente porque a gente tá sentindo na pele, também, o gostinho do que é trabalho de base contínuo com a comunidade neopentecostal colhendo gostoso os frutos de anos de investimento. Tem também a epidemia de notícia falsa que ainda ronda o país e os anos de antipetismo midiatizado pelas Mídias Tradicionais, afinal, o segundo turno das eleições presidenciais em 2018 uma escolha muito difícil, disseram...


Só sei que foi. No primeiro mês foi impraticável ficar logado diariamente nas redes sociais. Todo dia um negocinho do presidente que não sabe se comportar como tal e acha que a República Federativa do Brasil na verdade é uma empresa em que os próprios filhos tem mais moral do que a própria Constituição. Foi um ano puxado, várias declarações dignas de linchamento tamanho o ultraje vieram a rede nacional pra jogar a última pá de cau na cova do cidadão brasileiro médio que se achava herdeiro dos grandes latifundiários que primeiro destruíram o país. O perrengue da dama cujo marido recebe 33 mil reais por mês foi um dos mais ultrajes do ano, acompanhado de todo absurdo que foram o criminoso derramamento de óleo no litoral nordestino, o aumento absurdo e abusivo da tarifa do metrô em Recife (e em algumas outras cidades do Brasil), o sol e a chuva que vem castigando sem dó, o Ministro da Educação cujo objetivo é destruir é educação pública, 80 tiros de fuzil num carro a troco de nada... Enfim, se for pra enumerar tudo de ruim que aconteceu esse ano a gente nunca termina e vai sempre ficar uma desgraça de fora.


E a previsão é de que não melhore muito. A questão é sair da trincheira da resistência e contra-atacar. 2019 reforçou minha crença na transformação pela micropolítica no sentido de que, se a gente só prestar atenção no que acontece em âmbito federal, não tem esperança que se mantenha. Mas se a gente redireciona nossa energia pra fortalecer o trampo de movimentos e organizações que tão trabalhando no miudinho com o pessoal de periferia, crianças, mulheres, população negra, a história é outra.


E esse fortalecimento não se restringe a contribuir com grana, mas de ajudar a fazer acontecer de alguma forma. Focando objetivos, também, à médio e longo prazo, plantar pra colher, ter projeto de poder, preparar terreno pra quem vem depois e tudo mais. Vontade, quando é muita, faz o mundo girar do jeito que a gente quiser. A gente que lute, mas a gente que lute junto, encangado em gente que a gente gosta e acredita.

A Retruco é uma agência de jornalismo independente de Pernambuco idealizada por jovens jornalistas, cineastas e designers que buscam novas maneiras de contar histórias através da combinação de formatos audiovisuais e textuais com um olhar crítico, sensível e criativo.

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